segunda-feira, 9 de abril de 2018

Saca de Nitrato do Chile

Em finais do século XIX, inícios de XX, o Chile tinha uma abundante reserva de um químico precioso: o Nitrato de Sódio, que à època era também designado por Ouro Branco ou Salitre. É um composto químico, cristalino inodoro e incolor. É solúvel com água, álcool e amónia liquida. Usado maioritariamente como fertilizante agrícola e para o fabrico de explosivos, o Chile começou a exportar este mineral para a Europa na década de 1820. O seu valor de mercado e importância foram crescendo, tendo levado mesmo a uma disputa que ficou conhecida pela "Guerra do Pacifico" (também conhecida por Guerra do Salitre) que decorreu entre 1879 e 1883. As razões deste conflito centravam-se nos territórios da região do Deserto do Atacama, rico nesse mineral, levando a uma contenda por parte do Chile, Perú e a Bolívia, da qual os chilenos saíram vitoriosos.  


Desde cedo, a empresa proprietária da marca Nitrato do Chile apostou forte na propaganda, como forma de aumentar os seus lucros. À época a publicidade estava ainda na sua primeira infância, contudo quem soubesse criar uma imagem marcante, que se destacasse da concorrência era meio caminho andado para o sucesso. Na Península Ibérica dos anos 30, a sua estratégia publicitária, passou por colocar painéis de azulejo (material mais barato e com muita durabilidade) cuidadosamente colocados à entrada das localidades, ou lugares centrais para que a sua mensagem chegasse a todos.

Painel Publicitário

Quem percorra o país rural de lés-a-lés pela sua rede de estradas nacionais, irá encontrar inúmeros painéis publicitários do Nitrato do Chile, que ainda hoje resistem ao tempo e às mudanças do mundo. Aqui como na vizinha Espanha, o anúncio a estre produto acabou por tornar-se num dos ícones publicitários do século XX.

Botoeira do Nitrato do Chile
Mas sempre me surgiu a interrogação: "Quem teria sido o criador deste símbolo?" Aparentemente tudo leva a crer que a ideia terá surgido pela mão de Adolfo López-Durán Lozano. Este estudante madrileno de arquitectura terá sido convidado a pintar um anuncio por um professor do seu curso que presumivelmente teria uma ligação com a empresa chilena de nitratos. A empresa gostou do resultado final, e assim nasceu o homem com chapéu de abas largas sentado em cima de um cavalo que fez parte do imaginário e do quotidiano de tantas e tantas gerações. 

Em Portugal a Companhia União Fabril foi desde cedo o distribuidor oficial do Nitrato do Chile e quem consulte, revistas de agricultura como a "Gazeta das Aldeias", irá certamente encontrar um anúncio a referir tal facto. Veja-se por exemplo este lançado logo depois do final da II Guerra Mundial: 



A saca de juta que aqui vos apresento é já bem mais recente, devendo datar de finais do anos 60 mas que como podem observar se encontra em optimo estado de conservação:

                               
   

                                                                                                                                                             
Anúncio de 1969 ao Produto

                                                                                         
Pegando no "Simposium Agro-Pecuário" lançado em 1969 vamos ver o que ele nos diz sobre o Nitrato de Sódio do Chile:

Composição: Fertilizante azotado natural, de fórmula química NaNO3, contendo 16% de azoto sob a forma nítrica, além de pequenas quantidades de micronutrientes, dos quais se destaca o boro.

Indicações: Pelo facto de conter o azoto sob a forma nítrica, é prontamente assimilado pelas plantas, às quais concede vigor imediato. Convém, em geral, a todas as terras e pode empregar-se em todas as culturas, no começo da sua vegetação, ou em cobertura.
Pode misturar-se em qualquer altura com os adubos potássicos, e com o superfosfato de cal, na altura da aplicação.

Doses: Desde 100 a 700 Kg por hectare

Apresentação: Em sacos de juta com 50 Kg

sábado, 7 de abril de 2018

O lançamento à agua do navio «São Macário»

Enquanto meio mundo se digladiava num terrível conflito à escala mundial, Portugal felizmente via a guerra a passar-lhe ao lado. Porém os ecos da guerra faziam-se sentir na vida de todos, racionamento de bens alimentares, escassez de matérias-primas, o ambiente é tenso e surgem greves na cintura industrial de Lisboa. Porém nem tudo são nuvens negras no horizonte a comprová-lo estão as palavras que se seguem.


Cartão de Convite do Estaleiro Naval da CUF

O dia 26 de Janeiro de 1944 nasceu soalheiro, fazendo certamente esboçar sorrisos de contentamento por ente os responsáveis da CUF e da Sociedade Geral. No Estaleiro Naval da A.G.P.L. (arrendado à CUF desde Janeiro de 1937) fazem-se os últimos preparativos para a cerimónia de lançamento de mais um navio à água: o São Macário. Junto à sua proa foram erguidas duas tribunas, uma para os elementos oficiais e outra destinada aos convidados. 


Vista Aérea do Estaleiro da A.G.P.L.

Pouco depois das 15 horas, uma força de marinha com a respectiva banda de musica alinhou a um dos lados da porta leste do Estaleiro, junto à Central da Carris (onde hoje se encontra a Adega do Kais). Foram muitos os convidados que, pouco a pouco, iam chegando ao local da cerimónia: Ministros da Marinha, Economia e Colónias, sub-secretários de Estado das Obras Públicas e do Comércio, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Major General da Armada, Governador Militar de Lisboa, Presidente da Junta Nacional da Marinha Mercante (que à época era presidida por Américo Thomaz), directores das Companhias Colonial e Nacional de Navegação, (Bernardino Correia e Jaime Thompson) Carregadores Açoreanos (eng. Gago Medeiros), Empresa Insulana de Navegação (Vasco Bensaúde) para além de uma lista mais extensa que seria de fastidiosa leitura. Os convidados foram recebidos por D. Manuel de Mello, Aulânio Lobo (gerente da Sociedade Geral), Vasco de Mello (Director do Estaleiro). eng. Sá Nogueira (Administrador do Porto de Lisboa) engs. Sousa Mendes, Américo Rodrigues, Almiro Martins e mestres Peres e Ramos que tomaram parte na direcção dos trabalhos de construção do «São Macário».
  ÀS 16 horas em ponto chegou o General Carmona acompanhado do general Amílcar Mota e do capitão Carvalho Nunes da casa militar da Presidência. Depois de passada a respectiva revista à guarda de honra, o Chefe de Estado subiu á tribuna onde a convite de D. Manuel de Mello, o General Carmona deu com um pequeno martelo a pancada no aparelho que impeliu a garrafa de champagne contra o navio, fazendo-o deslizar pela carreira de construção até à agua.


Carmona no momento de impelir a garrafa de champanhe contra o navio



Por entre salvas de palmas, o toque das sereias dos navios e «A Portuguesa» tocada pela banda da Armada, o «São Macário», desliza suavemente pelas calhas da carreira até às águas do Tejo. Os operários do estaleiro que se encontravam a bordo do navio agitavam os seus bonés em sinal de regozijo.


Foto do lançamento à água do «São Macário»


De seguida D. Manuel de Mello usou da palavra começando o seu discurso com estas interessantes palavras:


D. Manuel de Mello discursando

"Ao tomar a C.U.F., em 1 de Janeiro de 1937, posse da exploração dos estaleiros da Administração Geral do Porto de Lisboa, o sr. Alfredo da Silva, meu saudoso sogro, espirito da elite, ao qual devem todas as industrias do país e que à construção naval se dedicou com entusiasmo, tendo sido nos estaleiros do Barreiro o iniciador em Portugal da construção de navios em ferro..."


Deixem-me abrir aqui um parenteses para referir que de facto este estaleiro existiu, localizado no porto privativo do Complexo da CUF no Barreiro. Foi criado com o fito de dar apoio à emergente frota da Sociedade Geral, sendo ali fabricados rebocadores (como o Estoril em 1931) e navios (como o Costeiro II em 1933, sendo à época o maior navio mercante em ferro construído em Portugal). Em 1937 com a concessão do Estaleiro do Porto de Lisboa à CUF, as suas actividades cessam, sendo transferidas na totalidade para a Rocha Conde de Óbidos.

 Mais à frente no seu discurso D. Manuel de Mello irá afirmar que Portugal "...precisa na realidade de aumentar a sua frota mercante. Todas as províncias ultramarinas necessitam contacto directo e frequente com a Metrópole. É indispensável que a bandeira portuguesa volte a flutuar nos barcos que hão-de aproar à India, a Macau, Timor e também às nações onde temos colónias populacionais importantes, como o Brasil e os Estados Unidos da América do Norte. 
Alguma coisa têm feito já os armadores no que se refere ao aumento das frotas. É, porém pouco por enquanto, para o necessário. Mas mais não era possível fazer. 
Os recursos são poucos e a Marinha Mercante portuguesa não se tem aproveitado da guerra para amealhar fartos proventos. 
Permito-me em nome dos armadores...pedir a V. Exa., sr. Presidente e a V. Exas. srs. Ministros que olhem para a Marinha Mercante não só com o carinho posto em tudo quanto é de interesse nacional, mas que a tratem com desvêlo e os cuidados especiais que merece, a um pai, o filho doente.
Muito doente mesmo.
À insuficiente mas incansável Marinha Mercante nacional se deve, na hora difícil e atribulada que atravessamos, ter proporcionado ao país, numa faina esforçada e constante, parte do indispensável à nossa alimentação.
Já por essa demonstrada insuficiência, já pelo trabalho aniquilante que se lhe tem exigido, impõe-se a construção de mais barcos, construção que deve ser levada a efeito em Portugal, desde que tenhamos operários e engenheiros competentes. 
Terão de modificar-se os estaleiros, designadamente este da Administração do Porto de Lisboa, para que seja possível construírem-se navios de maior tonelagem do que até aqui, mas e desideratum nacional do desenvolvimento da frota mercante portuguesa só se conseguirá desde que se restabeleça, mas em condições interessantes, um subsídio à construção, aliviando-a também de encargos que sobre ela hoje pesam."

Estas satisfações seriam concedidas aos armadores no ano seguinte com o chamado Despacho 100 da autoria de Américo Thomaz então Ministro da Marinha. 

No final do seu discurso D. Manuel de Mello irá justificar o nome dado ao navio: "Tomou este novo barco o nome de «São Macário», santo patrono dos caldeireiros e, assim prestamos homenagem ao esforço e boa vontade demonstrada pelos operários nas construções que temos realizado neste estaleiro". 





Este navio esteve ao serviço da Sociedade Geral até 1972, ano em que transita para a CNN com a fusão destas duas companhias. Em 1974 será vendido à Componave sendo rebaptizado de «Silmar»

quinta-feira, 8 de março de 2018

Número Especial do Jornal da FILDA produzido pela SIGA

A vida tem coisas curiosas. Comprei este jornal da Feira Industrial de Luanda (FILDA) porque desde muito novo sempre me interessei por aquilo a que no passado se designava por "Ultramar Português". Gosto de estudar a sua economia, as suas cidades, arquitectura, história, enfim um pouco de tudo! Pois estava eu a dizer que quando comprei este jornal, que vos irei apresentar a seguir, estava longe de imaginar que me iria cruzar com o Grupo CUF. Comprei-o pela curiosidade de ter sido feito em plástico, e deter boas fotografias da Feira de 1972 coisa que até agora nunca tinha visto. Depois de uma leitura atenta, qual não é o meu espanto de ler que este numero especial tinha sido produzido pela SIGA! 

Página 1

Páginas 2 e 3

Página 4



A SIGA - Sociedade Industrial de Grossarias de Angola, foi criada em 1951, possuindo instalações fabris em Luanda, e duas propriedades agrícolas, uma em Cassoalala com 450 hectares, e outra próxima da cidade de Santa Maria (Duque de Bragança) com uma área de 4000 hectares.  Em 1971 o seu volume de vendas atinguiu o montante de 116 mil contos. 

As suas instalações fabris eram compostas pelas seguintes unidades:

  • Fábrica de sacaria e têxteis de juta
  • Fábrica de têxteis e sacos de polietileno e polipropileno
  • Fábrica de feltros de juta e sisal
  • Fábrica para a produção de plásticos por extrusão e injecção sob a forma de tecidos, sacos e artigos diversos
  • Fundição
  • Oficinas Metalo-mecânicas

Nota: Esta é uma breve resenha da vida desta empresa, pois espero acrescentar dados novos e informações mais detalhadas sobre ela num futuro próximo.  


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

E porque é Carnaval....

Nada melhor que mostrar o que até há uns anos me chegou ás mãos: um dos fatinhos do carnaval das escolas do Barreiro do ano de 2013.

E advinhem qual foi o tema? É isso mesmo! Os miudos do Externato Diocesano D. Manuel de Mello num rasgo de originalidade mascararam-se imitando as  sacas de adubos da CUF!

Resta-me agradecer ao meu bom amigo Norberto Santos que me ofereceu esta curiosidade que apesar de recente, demonstra que a memória da CUF ainda está à flor da pele na cidade do Barreiro. Ainda bem que assim é.


Frente

Verso 



Fontos do Carnaval das Escolas do Barreiro 2013 - Fonte Jornal Rostos

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

A Induve

Esta minha primeira postagem deste novo ano de 2018, demorou um bocadinho mais do que eu estava a espera pois fui encontrando novos dados que me levaram a reformular o texto que agora se apresenta. É dedicada a um tema muita vezes esquecido ou ignorado: os negócios ultramarinos do Grupo CUF. Talvez por a informação disponível ser parca, é ainda hoje uma área que se encontra praticamente por estudar. Se  juntarmos a esta problemática as longas guerras civis, tanto em Angola como em Moçambique, e o consequente desaparecimento/destruição, não só dessas unidades industriais,  bem como dos seus arquivos, não nos restará por certo, grande margem de manobra para um estudo detalhado sobre tais actividades.  

Apesar da CUF ter alargado os seus negócios ao Ultramar português logo em 1919, (criação da Casa Gouvêa na Guiné e mais tarde a Companhia do Congo Português em Angola) ainda sob a liderança de Alfredo da Silva, será apenas nos anos 50 que o Grupo estende exponencialmente as suas actividades económicas a estes territórios. Ali iriá criar empresas abarcando os mais variados sectores e produtos: minérios, industria alimentar, cordoaria, banca, seguros, navegação representações de marcas, etc.


Porta-chaves da Induve


Vista da Fábrica em 1967
A INDUVE - Industrias Angolanas de Óleos Vegetais S.A.R.L. foi criada em Agosto de 1957 nessa vaga de investimentos, com vista ao aproveitamento das matérias-primas ultramarinas. O seu capital accionista encontrava-se repartido pelas seguintes firmas: CUF, Sociedade Nacional de Sabões, Macedo & Coelho, Comfabril e Sovena. Os dois anos que se seguiram foram dedicados à construção das modernas instalações fabris, situadas às portas de Luanda, na Estrada do Cacuaco. Dedicada essencialmente à extracção e refinação de oleos vegetais, fabrico do sabão e rações para animais a marca Induve foi crescendo, impondo-se no mercado angolano ao longo dos anos. Mas não se pense que os primeiros anos foram fáceis, marcados por um periodo em que apesar do grande esforço dispendido, a situação das suas contas/lucros encontrava-se altamente deficitária. Tudo estava por fazer, e a Induve percebeu que para reverter a situação em que se encontrava era preciso mudar a sua estratégia. Numa terra com tão vastas potencialidades agrícolas como Angola, não fazia sentido estar-se a importar oleaginosas para o fabrico do oleos alimentares. Assim, um dos objectivos primaciais da empresa, passou pelo incremento da produção local da matéria-prima oleaginosa tão necessária à sua laboração.


Vista da Fábrica - anos 60


Stand da Induve - FILDA 1972
Criadora de marcas como, o óleo de amendoim Maná, o óleo de girassol Gisol, ou o óleo de milho Solmil, representava ainda as consagradas marcas metropolitanas como o Clarim e o Tudóleo da Sovena. Os grandes esforços iniciais acabaram por ser largamente compensados, pois em 1969 a Induve é já responsavel por 33% da produção de sabão, 40% da produção de óleo de amendoim e 85% da produção de óleo de girassol de Angola, valores que mostram a grandeza e importância desta empresa no território. No ano seguinte a companhia produziu 61,6% dos oleos comestiveis e 49,1% dos sabões consumidos em Angola. Tudo isto só foi possivel pela grande racionalização dos processos de fabrico apoiados por um elevado "Know-How" bem como de meios humanos (refira-se que entre 1969 e 1973 o quadro de pessoal passou de 280 para 440 elementos). Em 1971 foi modernizada a sua Saboaria, tendo-se instalado uma nova linha de arrefecimento contínuo de sabões, nesse ano foi também ampliada a capacidade da fábrica de óleos, com a entrada em funcionamento de uma nova unidade de extração por dissolventes (Unidade De Smet sobre a qual já havia falado no meu blogue em Julho de 2010) elevando o seu nível de transformação para 120 Ton/dia. A Induve era presença constante nos mais diversos certames e feiras de Angola, caso da FILDA (Feira Internacional de Luanda).


Anuncio de 1972


Anuncio de Aumento de Capital - 1974
Para além de utilizar matéria-prima 100% angolana a empresa dava também o seu contributo para a divulgação de adquadas técnicas agrícolas. Em 1973/74 devido á forte expansão do sector de alimentação e higiene em Angola, a Induve tinha já previsto um plano de expansão do aumento da capcidade de refinação de óleos de 8.100 para 21.600 toneladas/ano, a duplicação da produção de sabões e a entrada no campo dos detergentes. Planeava-se ainda a criação de uma nova unidade de aproveitamento de glicerina destinada à exportação. Este programa de investimentos estava orçado na ordem dos 75 mil contos, facto que levou a empresa em Novembro de 1974 a lançar um aumento de capital social de 65.000 para 100.000 contos para fazer face a tais encargos. Porém, como se pode ler no relatório e contas da empresa, referente a esse ano, o momento escolhido para o fazer não foi o mais propício: "o mercado financeiro de Angola estava acusando [...] as consequências de uma agitação social que afectava sensivelmente a actividade económica". Maís à frente o texto justifica da seguinte forma outra das razões de tal insucesso: "Verificou-se de facto, que o grande investidor não aproveitou esta oportunidade de comparticipar de um empreendimento, que é útil e rentável. Apenas a pequena poupança se interessou, com o número de adesões apreciável mas de fraca expressão no montante a subscrever." E a partir de 1974-75, com grande pena minha, não possuo mais dados sobre a empresa, porque deixam também de haver jornais de Angola nos arquivos e bibliotecas portuguesas.


Botoeira da Induve para colocar no casaco




Na actualidade a Induve S.A. é uma das joias da coroa do Grupo Phoenician Eagle que investiu uma elevada soma de capitais com vista à sua modernização. Possui hoje equipamento e tecnologia do mais moderno que existe no campo da produção da farinha de milho com uma capacidade instalada de 450 toneladas/dia, bem como 100 toneladas/dia de rações para animais. Em 2007 foi construida uma nova fábrica de engarrafamento de óleos alimentares com capacidade de encher 6000 garrafas e 500 "jerrycans" por hora. Actualmente trabalham na Induve S.A. mais de 250 empregados. Tal como no passado, a empresa continua a deter um papel importante no fomento das matérias-primas locais, participando com o governo em programas de incentivo a determinados tipo de culturas (caso do milho). É curioso verificar que ao longo destes 61 anos de existência ainda hoje o óleo Maná é uma marca de referência da empresa às quais se juntaram entretanto novas marcas tais como: Tia Bella, Fubada, Romana, Nossa Fuba, Solmilho, Gazela do Norte, Óleo d´Ouro, Óleo Dourado e Óleo Kamba.


Vista Parcial das Instalações Industriais da Induve na actualidade



Moderna Linha de ensacamento de farinhas
Fontes Consultadas:


  • Relatórios e Contas da Induve (1967, 1968, 1971 e 1974)
  • Jornal "A Provincia de Angola"
  • The CUF Group - 1969
  • O Grupo CUF - 1972

domingo, 24 de dezembro de 2017

Postal de Boas Festas da Equimetal

A poucas horas da celebração de uma das maiores festas de caracter religioso, não poderia deixar de desejar a todos os visitantes e leitores deste meu blogue votos de um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo de 2018. Aqui vos deixo um bonito postal de Boas Festas editado pela Equimetal, empresa criada em 1973 no seio do Grupo CUF resultando de uma politica de descentralização e autonomização das antigas divisões da empresa (neste caso a sua antiga Divisão de Metalomecânica). Como poderão ver o bonito desenho da capa que tenta ilustrar a súmula das actividades da empresa encontra-se assinado por F. Lourenço. Se por acaso alguém conhecer ou saber mais sobre este artista digam.me alguma coisa.  

Capa do Postal
Interior do Postal

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Cinzeiro da Tabaqueira

Em Outubro de 2009 publiquei o primeiro cinzeiro da Tabaqueira que comprei. Agora. é altura de mostrar uma das minhas ultimas aquisições neste campo. Trata-se de um bonito cinzeiro hexagonal feito pela Vista Alegre a publicitar esta empresa. A sua decoração é bastante simples e minimalista, símbolo da Tabaqueira e palavras a preto e os rebordos a dourado, o que lhe dá um toque de fina elegância. Ao consultar a publicação lançada pela própria Vista Alegre sobre a evolução da sua marca esta peça é facilmente datável da época entre 1947 e 1968. Diria com alguma certeza que ainda é do tempo da velha fábrica do Poço do Bispo pois ainda ostenta aquele que foi o símbolo inicial da empresa e que deverá ter durado até 1962, altura em que é inaugurada a fábrica de Albarraque. Geralmente esta é uma peça que quando aparece ou lhe falta os dourados do rebordo, ou o símbolo da Tabaqueira e as letras estão gastas ou pior ainda, um ou alguns dos cantos encontram-se partidos. Foi preciso esperar anos para que finalmente me aparecesse um cinzeiro destes em estado impecável como este, mas valeu apena, pois é de facto de uma grande beleza. 



quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Á mesa com a União Fabril do Azoto

Se há coisa que as grandes empresas ainda hoje não podem dispensar é o seu refeitório próprio. Palco central de convivência diária onde os seus diversos departamentos se cruzam à mesa partilhando conversas e por vezes confidências. Acabado o repasto, cada um segue para os seus postos de trabalho, mas no refeitório a azáfama continua. Se uns partem, outros chegam famintos por uma refeição quente e por um pouco de descontracção. Quando por fim o movimento cessa, começa a melodia do tilintar dos batalhões de pratos, copos e talheres, prontos para a desinfecção e limpeza. 

Como é obvio à União Fabril do Azoto não faltavam refeitórios tanto em Alferrarede (1952) como no Barreiro (1962). Eu sei que à primeira vista, o título desta postagem pode parecer no minímo estranho, mas de facto hoje quero que imaginem que estavam sentados a almoçar no refeitorio da UFA - União Fabril do Azoto de Alferrarede. 

Conjunto de Sopa 






Conjunto de Refeição






Chávena de Café 



Infelizmente quanto á chávena de café, não consegui o seu pires respectivo... Pode ser que algum dia apareça por aí um perdido, pois de facto o conjunto completo daria logo um outro look! 

Esta louça foi fabricada pela, Sociedade de Porcelanas de Coimbra, conforme de pode observar na foto seguinte:



O faqueiro é em inox e como poderão ver com maior detalhe nas imagens abaixo, nos cabos dos talheres está la gravada a sigla da empresa: UFA 




Em termos de dimensões dos objectos, os pratos têm 24 cm de diâmetro, a colher e o garfo medem aproximadamente 20 cm e a faca 24 cm. 

E resta-me deixar aqui um obrigado muito especial ao meu amigo João Pauleta que há uns anos me ofereceu todo este espólio, que guardo com muito carinho. A chávena de café essa descobri-a noutras "guerras" e o guardanapo é da minha casa, tendo-o usado apenas como forma de adereço e embelezamento para dar o toque final de apresentação.  

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

O lançamento da linha de produtos "O´ki Scientific"

Em Fevereiro de 1972, a UNICLAR - Inernacional de Cosmética S.A.R.L., empresa fundada no ano anterior no seio do Grupo CUF, escolheu o salão de festas do Hotel Ritz para a apresentação da marca O´ki Scientific. Para além da administração, quadros técnicos e comercial da empresa, estiveram também presentes os sectores de vendas da UNISOL e da UNIFA bem como o Engs. Vistulo Abreu e Sousa Rego. 

Informação Interna CUF - Junho de 1972, pág. 16

Segundo a noticia publicada no Diário Popular de 27 de Fevereiro de 1972, o O´ki Scientific tratava.se de uma "extraordinária inovação no campo especifico dos produtos para a desodorização corporal. Na realidade O´ki Scientific vem superir uma lacuna não preenchida até agora pelos desodorizantes vulgares - na fórmula de O´ki Scientific entra um componente exclusivo que desempenha uma acção de desodorização automática. Isto é: a sua acção aumenta à medida que a transpiração também aumenta."


Noticia do Diário Popular de 27 de Fevereiro de 1972

Infelizmente ainda não consegui (e depreendo que será tarefa bastante dificil) encontrar os produtos originais aquando do lançamento da linha O´ki, contudo deixo-vos aqui as embalagens daquilo que deve ter sido o segundo "look" da marca ainda fabricados pela UNICLAR.

Pormenor de Conjunto

Sabonete O´ki Scientific (frente)

Sabonete O´ki Scientific (verso)

Aerosol O´ki Scientific (frente)

Aerosol O´ki Scientific (verso)
Para finalizar esta postagem, deixo aqui o anuncio publicitario que saiu aquando do lançamento destes produtos: