segunda-feira, 10 de julho de 2017

Saladeira/Fruteira da Companhia Nacional de Navegação


    



É bem provável que esta peça terá pertencido a algum dos navios da Companhia Nacional de Navegação, e ter chegado tão bem preservada até aos dias é de facto louvável. 

Como se poderá ver nas fotos em anexo, esta loiça foi fabricada pela a Candal para a CNN. Porém temos também a marca da Casa José Alexandre o que dá azo a certas confusões. Graças ao meu amigo Luis Lages, (homem que está como peixe na água nestas questões) fiquei a perceber que a Casa José Alexandre servia de intermediária neste processo. Ou seja, a CNN fazia a encomenda à Casa já citada que por sua vez a fazia à Candal.

Já agora peço ajuda a quem conheça bem os carimbos da Candal  me consiga datar esta peça.

Não é facto novo, pois em Novembro de 2008 publiquei um cinzeiro do Hospital da CUF também ele com o carimbo da Casa José Alexandre e outro da Vista Alegre. 

Quanto à Candal quem quiser saber mais sobre esta histórica e importante marca já desaparecida, pode consultar o site Candalpark.

Relativamente à história da Casa José Alexandre, recomendo vivamente a consulta do artigo existente no blog Restos de Colecção sobre o assunto.  Possui importantes dados historicos e fotograficos sobre essa prestigiada Casa que muito sofreu com o incêndio do Chiado ocorrido em 1988.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Placa publicitária do fungicida ASPOR

Há uns tempos mandei vir esta engraçada placa publicitária de Espanha. Trata-se de um fungicida criado pela empresa italiana Montecatini, com quem a CUF teve relações não só comerciais, como foi parceira de negócio numa empresa criada em 1971 chamada INICA - Sociedade de Iniciativas Mineiras e Industriais. Está em bom estado geral de conservação, de certeza que esteve a uso em alguma loja ou depósito agrícola. As dimensões da placa são as seguintes: 40 cm de altura por 30 cm de largura, devendo datar dos anos 60.
.
Placa Publicitária

Mas afinal o que era e para que servia o Aspor? Nada melhor que consultar a edição número 44 da revista Ao Serviço da Lavoura editada pela Divisão de Produtos para a Agricultura da CUF:

                   

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Nota do Blogue

Estimados leitores

Como é do conhecimento geral, estive afastado do meu blogue desde Julho de 2014 até Junho deste ano. É de facto um hiato de tempo demasiado longo, e muita coisa me passou ao lado, inclusivé mensagens deixadas pelos leitores, aos quais deixo aqui um sincero pedido de desculpas. Perdi oportunidades e perdi contactos com pessoas que de alguma forma estão ligadas a este universo da CUF... A verdade é que às vezes a nossa vida prega-nos partidas e primeiro que ela se volte a endireitar, por vezes demora um bom tempo. Momentos adversos que nos retiram a paixão da escrita e de ir contando as "milhentas" estórias/histórias que existem sobre o universo do Grupo CUF. Só uma coisa não soçobrou: a vontade indómita de ir guardando e preservando espólio relacionado com o maior número possivel de empresas ligadas a este tema. Hoje, ao ler as dezenas de mensagens que os meus leitores deixaram ao longo deste tempo neste blogue, apercebi-me da tremenda injustiça que estava a cometer. Todas essas mensagens tiveram o efeito imediato de querer voltar a dar uma vida nova a este blogue. Podem crer que é uma grande satisfação pessoal receber todas as vossas mensagens, sejam elas de reconhecimento, ou de critica, pois é dessa forma que podemos melhorar a qualidade da informação existente nesta página. Fiquem a aguardar pelas novas publicações, que não se irão arrepender. 

E porque uma pessoa mesmo que queira não consegue estar sempre em cima do acontecimento no Blogue, caso tenham alguma pergunta ou me desejem contactar por determinada razão, podem adicionar-me no Facebook. É fácil! Procurem por "Ricardo Cuf" certamente nao haverá mais ninguem com tal nome. 

Com os melhores  cumprimentos 

       Ricardo Ferreira 

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Há 50 anos era inaugurado o Estaleiro da Margueira

Cartão de Ingresso no Estaleiro no dia da inauguração
Há precisamente 50 anos era inaugurado com pompa e circunstancia o Estaleiro da Margueira, que projectaram o nome da Lisnave pelo Mundo. O projecto era ambicioso e numa escala nunca antes vista no nosso país neste sector. Usando as mais modernas técnicas e "know-how" de ponta, cedo a marca Lisnave começou a ecoar pelos quatro cantos do mundo naval. A inauguração deste Estaleiro foi um verdadeiro acontecimento na vida do país. Os convidados começaram a chegar ao local por volta das 14 horas estando presentes membros do Governo, representantes dos meios económicos nacionais, altos funcionários do Estado, delegados de numerosas empresas financeiras e industriais estrangeiras, enviados das principais companhias petrolíferas e de armação de navios, nomeadamente a Esso, Gulf, BP, Shell, Niarchos, Onassis e Norwegian Shipping, já para não falar nos membros da direcção, técnicos e empregados da empresa. Citando a Revista Industria Potuguesa "Ao todo, cerca de 7500 pessoas. Um caso único na vida das empresas económicas portuguesas" (ontem, como hoje!) À chegada do Presidente da Républica, a cerimónia inaugural principiou pela abertura das válvulas da doca 11 de 300.000 toneladas. Cheia a doca, o que levou 2 horas, o Presidente da Republica descerrou uma lápida com os seguintes dizeres: 

Momento da abertura das valvulas da doca 11
"Aos 23 de Junho de 1967, Sua Excelência o Senhor Almirante Américo Deus Rodrigues Thomaz, Presidente da República Portuguesa inaugurou este estaleiro naval, empreendimento no qual se congregaram homens e capitais portugueses, holandeses, e suecos e cuja colaboração e esforço se devem o projecto e construção deste estaleiro, a previsão do seu futuro desenvolvimento e formação do seu pessoal"

E por falar em previsão, é interessante verificar a constante evolução em termos de previsibilidade da sua docagem ao longo do projecto. Em 1961 considerava-se uma tonelagem de 65.000 ton. como bastante grande. Porém em curto espaço de tempo, novas metas surgiram para fazer face ao rápido crescimento da arqueação bruta dos navios. Assim em 1962 previam-se duas docas para navios com 100.000 ton, em 1964 duas docas para 150.000 ton., no ano seguinte aumentava-se uma das docas para poder receber navios na ordem das 200.000 ton. e por fim em 1966 o projecto final: uma doca para navios até 300.000 ton. e outra com capacidade até 100.000 ton.

Este foi um dos primeiros projectos industriais virados a 100% para o mercado internacional. O que significava que a empresa iria concorrer sob forte concorrência internacional. E como se sabe, apesar disso, tornou-se num emorme sucesso empresarial, tão grande que passados apenas 4 anos, foi necessário construir uma gigantesca doca para navios até 1 milhão de toneladas por forma a fazer face ao constante crescimento da querenagem dos navios, bem como ao próprio estaleiro adiantar-se face aos seus concorrentes mundiais. A sua tecnologia de ponta era motivo para visitas de todo o tipo de personalidades e técnicos estrangeiros, mesmo em termos de desgasificaçao e lavagem dos navios tanques. A sua localização geográfica em plena Rota do Petróleo, fez despoletar em poucos anos a planificação de um ambicioso projecto de dominar essa mesma Rota em varios pontos com a criação em meados/finais dos anos 70 dos Estaleiros de Reparação no Bahrein, em Jeddah, no Brasil (que não foi concretizado) e outro em Curaçau. Mas isso são outras histórias que ficarão para contar numa próxima ocasião. 

Refira-se ainda que no acto inaugural do Estaleiro, os Paquetes "India" e "Principe Perfeito" na Companhia Nacional de Navegação deram entreada nas docas 11 e 12.

À esquerda o Paquete Principe Perfeito, vendo-se a entrar a doca o Paquete India


Discursaram depois, o Sr. José Manuel de Mello, Gonçalo Correia de Oliveira (Ministro de Economia) e o Almirante Américo Thomaz. 

No final da cerimónia foi servido um jantar a bordo do "Principe Perfeito"

Como forma de perpetuar este acontecimento a empresa editou uma medalha da autoria do grande escultor Leopoldo de Almeida, existentes em módulos grande e em módulo pequeno



Também os C.T.T. se juntaram às homenagens editando uma série comemorativa de selos com o carimbo do primeiro dia.





Uma das peças mais interessantes que possuo é esta. Trata-se da brochura lançada pela Lisnave da inauguração do Estaleiro que foi oferecida ao então Presidente da Républica, Almirante Américo Thomaz. Encadernada em pele e debruada a ouro, na primeira página pode-se ver a dedicatória e a assinatura de José Manuel de Mello ao Chefe de Estado.




E para terminar este post, deixo-vos parte dos ecos deste acontecimento nos meio de comunicação social.

Diário de Noticias de 24 de Junho de 1967


Revista Flama - 30 de Junho de 1967

Industria Portuguesa Nº 473. Julho de 1967

Vida Mundial Nº 1463, 23 de Junho de 1967

Jornal de Almada - 24 de Junho de 1967



Revista Lisnave Nº 19, Julho de 1967 (capa e noticia da pág. 4)


Defesa Nacional Nº 401-402, Setembro-Outubro de 1967


Shipping World & Shipbuilder, Agosto de 1967

Quero deixar aqui o meu agradecimento público ao meu amigo Carlos Caria que teve a gentileza de me oferecer o Cartão de Ingresso no Estaleiro no dia da inauguração, que deve ser um documento que certamente poucos devem ter sobrevivido á voragem dos tempos. 

sábado, 12 de julho de 2014

Foto nao datada do Depósito da CUF de Aveiro


Há já alguns meses atrás chegou-me esta interessante e invulgar fotografia a quem muito tenho a agradecer ao meu amigo Carlos Caria. Deve certamente tratar-se do Depósito que a empresa possuia em Aveiro, a matricula do barco e a sua tipologia assim o comprova. Observe-se ainda a curiosidade desta fotografia ter sido retocada. 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Saca de Sulfato de Cobre


Passadas que estão praticamente as Festas, nada melhor que começar a entrada do novo ano com um "post". A ver se este ano consigo dar um melhor andamento ao blogue para ser mais activo e dinâmico neste campo da história industrial por muitos ainda desconhecida. 

Após ja ter mostrado diversos tipos de sacas da CUF, umas para enxofre, outras para os adubos azotados, é agora a vez de apresentar uma para sulfato de cobre. Esta saca de 50 kg em juta tem como curiosidade ser de inícios  do século XX, (possivelmente anos 10) pois se observarem com atenção ainda se escrevia a palavra sulfato com ph. Alias  o modelo de saca é em tudo semelhante ao Papel Reagente que eu já havia aqui postado em Setembro de 2009. 

Pelo que pesquisei as marcas "Uva, "Parra" e "Cristal" existiram ate ao final dos anos 60, e quem possua o filme "Criando Fontes de Trabalho" editado pela Companhia em 1962 poderá ainda verificar o curioso pormenor de ver como funcionava nas Fábricas do Barreiro o respectivo enchimento dessas mesmas sacas e a sua expedição para venda. 

Em termos de apresentação do produto, indo ao catalogo de produtos da CUF para a época de 1930/31 podemos ler uma informara curiosa: Às marcas "Uva", "Parra" e "Cristal" correspondiam diversos tipos de granulometrias.














Em 1969 este manual explica-nos as diversas aplicações deste produto. E observe-se que para alem da existência das marcas "Uva", "Parra" e "Cristal", vemos ainda juntar-se a marca "Neve" a esta gama de produtos, sendo que as barricas dos anos 30 já tinham passado à historia.



          








terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Postal da Sotinco





Em post anterior já aqui referi a história da Sociedade de Tintas de Construção, vulgarmente conhecida por Sotinco e que pelos vistos continua para durar. É para mim gratificante ver qualquer marca nacional seja em que área for atingir longevidade e aceitação por parte do publico, quer nacional quer estrangeiro.

Desta vez publico um curioso postal publicitário de inícios dos anos 70, época na qual os arredores da cidade de Lisboa crescem de forma exponencial devido à pressão populacional exercida pela cidade. Da necessidade premente de novas habitações, nascem verdadeiras cidades de betão, como foi o caso da Reboleira na Amadora, criada pela firma J. Pimenta. Alfragide (note-se que no postal o topónimo aparece ainda escrito como Alferragide) foi outro dos lugares inundado pela construção civil com as torres de habitação tanto ao gosto da época como a que se vê no postal. 

Achei curioso o nome de "Alferragide" e não hesitei em procurar uma justificação para tal. Assim fiquei a saber que é um topónimo de origem árabe, que estaria ligado a forragem, sendo esta noutras eras uma área agrícola. As pessoas de mais idade referiam-se ao local como "Alfarragide" bem como  "Alferragide" que com a evolução dos tempos se transformou em Alfragide.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Cartão de Visita do Dr. Jorge de Mello






Neste natal, recebi das mãos do meu grande amigo Norberto Santos, o melhor presente que me podiam dar. Aquilo que à primeira vista parece um envelope normalíssimo guardava dentro de si o cartão de uma das personalidades portuguesas que mais admiro. Este cartão foi enviado a Manuel Chaves Caminha, que pelo que pude investigar, fundou em 1926 uma firma com o mesmo nome que vendia (e vende, porque ainda hoje existe) desde chapas metálicas, filtros, camurça, cabedal etc. Como se pode ver o Dr. Jorge de Mello enviou este cartão a agradecer o telefonema feito por aquele empresário à sua pessoa. E pouco mais há a referir sobre esta peça, pelo selo da carta deve datar de 1970. 

sábado, 21 de dezembro de 2013

Votos de Festas Felizes


Caros amigos, mais um ano se aproxima da sua recta final. Sei que neste ano que passou foi pobre em posts, mas de facto a vida não é como nós desejamos. Aqui vos deixo este interessante postal de Boas Festas do Hotel Ritz. Hotel este onde a CUF teve um contributo fulcral para a sua construção, como irei explicar num post a escrever brevemente.

Desejo a todos os meus amigos e leitores nesta quadra festiva, um Feliz Natal, passado em boa companhia e cheio de fraternidade, e um Próspero Ano Novo de 2014 para todos.

                                                                                                       
                                                                                                                   Ricardo Ferreira

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

In Memoriam - Jorge de Mello 1921-2013

Esta semana fica marcada pelo desaparecimento daquele que para muitos foi considerado o ultimo industrial português (quando me refiro ao termo "industrial" é de facto na acepçao pura e dura de criaçao de industria seja ela pesada ou ligeira). Por isso venho até vós para prestar o meu ultimo tributo a esta personalidade para a qual sempre olhei com grande admiraçao. Se uns têm por idolos jogadores de futebol, cantores, actores, há tambem aquele que olham para homens os industriais e empresarios, cujas suas visoes empresarios contribuiram para o progresso do pais nas mais diversas areas. É esse o meu ultimo caso.

 De seu nome completo Jorge Augusto Caetano da Silva José de Mello, nasceu em Sintra em 1921 no seio de uma familia aristocrática com elevado peso no tecido produtivo da nação.  Desde cedo lhe fizeram compreender a importancia de ser um Mello e de ter por avô Alfredo da Silva. Vivendo uma infancia repartida entre Sintra e Estoril, Jorge de Mello fez os primeiros estudos na Escola Primaria de Cascais, ingressando depois no Colégio Infante de Sagres. No seu livro de memórias Jorge de Mello refere que:

"nunca senti nenhum previlégio especial, nem os meus pais alguma vez alimentaram essa ideia, quer comigo, quer com as minhas irmãs e o meu irmão. Ia para a escola a pé. Quando chovia, lembrava-me que havia automoveis na garagem, que estavam parados mas nunca tive a ousadia de falar nisso à minha mãe. É verdade que tinha gabardina e os meus colegas de escola, que apanhavam a mesma chuva, talvez não tivessem sapatos com solas tao grossas como os meus. Mas essa diferença não era sentida por mim, não era importante não me sentia diferente deles."

Efectuou depois os estudos superiores (muito a contra gosto) no Instituto Superior Técnico (ali se manteve ate ao 2 ano do Curso, tendo interrompido o mesmo para cumprir o serviço militar  entre 1942 e 1945) onde Jorge se deveria formar em Engenharia Quimica, como era vontade expressa do seu avô. Porém Jorge sempre manifestou grande interesse pelo universo da gestao economica, assim e apos a morte do seu avô decide inscrever-se no ISCEF, passando a ter uma vida bastante preenchida. Nestes primeiros anos, os estudos e as responsabilidades que lhe sao atribuidas na CUF ocupam-lhe muito do seu tempo.

Jorge entra para a empresa em 1945, nunca epoca na qual a empresa estava a passar por grandes transformaçoes e modernizaçoes, que foram fulcrais para o crescimento e consolidação da CUF em novos sectores economicos do pós-guerra. É restruturado e fortalecido o seu quadro de pessoal tecnico, aumentado o seu nivel cientifico, com o recrutamento gradual e selecionado de dezenas de engenheiros, economistas, médicos, e outros especialistas para o desenvolvimento ou criação de novos serviços.  É feita uma aposta muito signficativa na area tecnica e na area de investigação de forma a criar condições para se atingirem niveis de produtivade e eficiencia paralelos aos observados em países estrangeiros mais desenvolvidos. Neste periodo é descoberto a seu pai (D. Manuel de Mello) a doença de parkinson, o que leva Jorge e o seu irmão José a assumirem responsabilidades e cargos de cada vez maior importãncia nos destinos da companhia. Durante este perido para alem dos negocios estará intimamente ligado à criaçao da Colonia de Férias da CUF, localizada em Almoçageme e inaugurada em 1950, destinada aos filhos dos trabalhadores. Amante do Desporto, praticava, ténis, futebol, hoquei e tiro, chegando mesmo a ser campeao nacional desta modalidade. Sempre demonstrou grande carinho pelo Grupo Desportivo da CUF (apesar de ser um fervoroso adepto do Sporting) e sempre o tentou dinamizar o mais possível. Deslocava-se frequentemente ao Barreiro para ir assistir aos jogos de futebol do Clube. Como grandes iniciativas deste periodo pode-se destacar a criação da UFA em Alferrarede que produzia amoniaco electrolitico, a construção no Barreiro da primeia fábrica nacional de granulação de adubos (1951), e a criação da fabrica de tintas Tinco (em associação com a multinacional inglesa I.C.I). Ou ainda a participaçao da empresa através do seu sector melato-mecanico, nas mais variadas obras publicas (construção de condutas forçadas, pontes rolantes, equipamentos para barragens, fabricas etc.) do esforço de modernizaçao nacional do pós-guerra.



Se a década de 60 foi a época de ouro da economia nacional com crescimentos superiores aos da média europeia à procura de uma rápida aceleração/transformação do tecido produtivo e das actividades economicas, nao o foi menos para a CUF. A empresa abre novos horizontes, exporta para paises que até então nenhuma empresa portuguesa sonhara fazê-lo: Japão, Australia, Egipto, Alemanha, Estados Unidos, Europa do Norte, Bulgária etc, comprovando a qualidade dos seus produtos, bem como a capacidade concorrencial da empresa. Abarca novas áreas de negócio como a Hotelaria/Turismo, Alimentar, Estudos de Mercado, Bioquimica etc. Manuel de Mello era já um homem muito doente, e quem geria verdadeiramente o Grupo empresarial era Jorge e o seu irmão, José, a quem coube o merito da criação dos Estaleiros da Lisnave, o primeiro empreendimento português vocacionado a 100% para o Estrangeiro.

Em 1963, Jorge de Mello é um dos mentores da C.I.E. - Comissão Interna da Empresa, que pertendia ser um elo de ligação entre os trabalhadores e a administração. Reunindo uma vez por mes na sede da CUF (Av. Infante Santo)  membros da administração e representantes dos varios sectores industriais da empresa debatiam desde, assunto relativos às fabricas, segurança no trabalho, escola da cuf, colonia de férias, dispensa operaria, etc. Segundo se diz à época o próprio governo do Estado Novo ficou alarmando com tal coisa, achando que poderia trazer grandes maleficios para a empresa e para o trabalho nacional, mas tal não aconteceu. O empresario limitou-se a aplicar um modelo já existente em paises mais desenvolvidos, onde as relações inter-laborais, eram vistas com outra preocupação social.


Em Outubro de 1966 com a morte D. Manuel de Mello, Jorge irá naturalmente ascender à presidencia da empresa, cargo que irá ocupar até 1975. No inicio dos anos 70, quando o Grupo CUF ja se preparava para assumir projecção internacional havia uma especie de cantilena que dizia assim: "Oh meu Portugal tão lindo,/ oh, meu Portugal tão belo,/ metade é Jorge de Brito, / metade é Jorge de Mello. Durante este periodo o Grupo para alem de uma constante aposta na modernizaçao das suas fábricas, procura novos processos de fabrico, estende de novo a sua actividade a outros sectores da vida económica, (Frio Industrial, Decoraçao de Interiores, Marmores, Casinos, Cargas e Descargas Martitimas, Montagens Industriais, Super e Hipermercados, Restaurantes e Refeitorios etc.). São efectuadas joint-ventures com reputadas empresas internacionais, caso da Mitsubishi nas fibras sintécticas, a Billerud no fabrico da Pasta de Papel, ou da Kawasaki nos estaleiros navais etc. Juntamente com esta medidas o Grupo CUF aposta na sua internacionalização sendo criadas as primeiras empresas no estrangeiro, casos da Interacid (Suiça), da Intercuf (Brasil), ou da Navelink (Suiça). A partir de 1973 essa mesma estratégia de internacionalização passa por um sério investimento no Brasil, onde a CUF pretende ganhar posiçao na industria adubeira, fabrico de tabaco, alimentação e construção/reparação naval. Ao mesmo tempo a Companhia continuava a participar nos maiores projectos de desenvolvimento económico nacional, caso no novo Estaleiro Naval de Setubal (Setenave) e do Complexo Industrial de Sines, na qual a CUF juntamente com a Sonap, começaram a construir a partir de 1973 uma refinaria de petroleos com uma produçao anual de 10 milhão de toneladas/ano. (que nos pós 25 de Abril passará para as maos a Petrogal). Esta é tambem a fase em que o industrial manda chamar a prestigiada consultora Mckinsey por forma a reestruturar um Grupo cada vez mais complexo, em que alguns dos seus sectores atingiram já a saturaçao de vendas no mercado interno, sendo necessario prescutar novos mercados, sectores a investir, e reconversao dos existentes.

Com o 25 de Abril de 1974 e as mudanças radicais ocorridas na politica e economia nacional, ditam no ano seguite a nacionalizaçao do Grupo CUF. Para se perceber a sua dimensao e importancia no tecido economico nacional refira-se apenas que nele trabalhavam mais de 110 mil pessoas, em mais de 150 empresas diferentes, que produziam mais de 1000 produtos diferentes, sendo responsavel por 5% de toda a nossa economia. Meses depois do 25 de Abril, o seu irmão José Manuel de Mello, encontra-se com Alvaro Cunhal na sede do partido, numa tentativa de chamar a atenção para o facto de que a destruição não levava a nada. Cunhal ouviu e concordou em parte. Segundo José de Mello "na altura as pessoas ouviam mas nao acontecia nada" Juntamente com o seu irmão, Ricardo Espirito Santo, Antonio Champalimaud, Jorge de Brito, Mario Vinhas e outros empresarios criar a MDE/S (Movimento Dinamizador Empresa/Sociedade) numa tentativa de lançar as bases de uma moderna economia liberal de tipo ocidental. Mas os tempos não estavam para essas coisas.

Após o 11 de Março de 1975 as condições politicas e sociais do pais agudizam-se e Jorge de Mello bem como os restantes empresarios nao ficam imunes aos novos ventos que se fizeram sentir. Assim a 12 de Março de 1975 o COPCON cerca pelas 18 horas a sede da CUF levando o empresario para Caxias onde ficaria detido durante uma semana. E so lá esteve esse curto perido graças à pressão exercida por várias personalidades nacional e estrangeiras, de onde sobressai a figura do Presidente da Republica françês Valérie Giscard d´Estang.

Em pleno PREC o dia a dia nas empresas era feito pelas comissoes de trabalhadores, que ontrolavam tudo e todos, efecuando longos plenarios onde era tudo era discutido e debatido. Perante tal cenario, Jorge de Mello sabia que naquele momento permanecer no pais, era perda de tempo. Preferiu não assistir ao golpe final desflorado em Setembro através do Decreto-Lei 457/75 na qual o governo nacionaliza por fim  CUF. Partirá para Suiça ali permanecendo três anos, seguindo depois para o Brasil para um exilio, que so acabará em 1980 ano que regressará definitivamente a Portugal. Fico  também dedicido pelos irmãos que dali para a frente, os negocios seriam repartidos. Numa entrevista o empresário explicou:

"Tem sido muito explorado o facto de sermos dois irmãos e de cada um ter o seu pequeno grupo. É que a nós foi-nos tirado tudo. Cada um de nós, o meu irmão, eu e as minhas irmãs recebemos como indemnizações aquelas titulos da divida pública, a 2,5% por 28 anos. Aquilo não dava para fazer muito: por isso, combinei com o meu irmão que cada um ia recomeçar tratando da sua vocação."

 Assim em 1980 Jorge de Mello, decide reinvestir em Portugal, para tal arranja um escritorio onde contava com uma equipa de 10 pessoas. Em 1982 adquire ao IPE - Instituto de Participações do Estado (organismo criado para gerir as empresaas intervencionadas pelo Estado aquando das nacionalizações de 1975) a Alco, empresa de transformaçao de sementes oleaginosas. Para tal teve de vender grande parte do seu património: Quinta de Ribafria, a Herdade do Peral, A Casa do Monte Estorl (que era do seu avó Alfredo da Silva) etc.

Nos anos seguintes o empresario construiu um grupo empresarial vocacionado para industria alimentar, adquirindo antigas empresas pertencentes à CUF, casos da Sovena e da Compal. Em finais dos anos 80 é constituida a Nutrinveste. Esta empresa tornar-se-á a holding do grupo Jorge de Mello para o sector dos oleos alimentares. Será sob a sua égide que em finais dos anos 80 principios de 90 serão adquiridas empresas como a Lusol, Tagol,  ou Fábrica Torrejana de Azeites, que irão catapultar a sua dimensao e volume de vendas. Apesar de ter dito "um empresário nunca se reforma. Não por uma questão de conquista, mas antes de continuidade" em inicios dos anos 2000 entregou os negocios da familia ao seu filho mais velho Manuel Alfredo de Mello.

Nos ultimos anos de vida, o empresário levava uma vida calma, dividida entre os jogos de tenis, cartas, e alguma batidas de caça. Porém em 2005 Jorge de Mello sofreu uma queda na sua casa do Estoril enquanto brincava com os seus labradores. Partiu o colo do femúr e teve de se sujeitar a um periodo de fisioterapia. Infelizmente no fim do perido de recuperaçao sofreu um AVC e entrou em coma. Só recuperou a consciência  meses mais tarde, ficando incapacitado de andar e de falar. Aos 92 anos partiu para sempre deste mundo deixando o seu legado. Fechou-se para sempre o derradeiro ciclo da história da CUF. A sua ultima morada é o Cemitério de S. Marçal onde foi sepultado no jazigo de familia.

Até sempre meu idolo!!!

Para rematar esta minha sentida homenagem deixo aqui um pensamento que se encontra no seu livro de memorias. Apenas akguem com inteligencia superior e dotada de um grande sentido de visão poderia escrever isto:

"E quanto à riqueza, conheci muitas pessoas em Portugal, de quem nunca se falou, que eram e são muito mais ricas do que eu. E é claro que bastava passar a fronteira para encontrar pessoas muito mais ricas e poderosas do que eu alguma vez poderia ser em Portugal. A ideia de riqueza é muito mais um produto da imaginação dos que não se sentem ricos. Um dia alguem me falou do homem mais rico de Potugal, ao que respondi que também já tinha sido disso, com a ironia de quem me conhece a relatividade desses atributos e desses titulos."


domingo, 13 de outubro de 2013

Saco de Enxofre SACOR manufacturado pela CUF



Ora aqui está, uma interessante novidade que estava hoje à minha espera na feira. Um saco de enxofre da SACOR fabricado pela CUF. A datação deste saco é inquestionavelmente dos anos 50, pois o simbolo da SACOR tinha ainda o "olho" no S que à epoca imitava como que uma cobra.

 A SACOR - Sociedade Anonima Concessionária da Refinaçao de Petroleos em Portugal é criada pela Lei 1947 de 12 de Fevereiro de 1937. Os seus três grandes accionistas eram o Estado Português, Martin Sain (empresario dos petroleos romeno) e a Familia Espirito Santo. À epoca, ideia do Estado era precisamente a que Portugal deveria de ser auto-suficiente tanto em termos de abastecimento das ramas petroliferas (dai o nascimento em 1947 da SOPONATA) bem como da própria refinaçao. Tais politicas irão ter como efeito a criaçao de postos de trabalho e o embaratecimento do preço dos combustiveis.

O local escolhido para a implataçao da refinaria foi Cabo Ruivo, arrancando a sua laboraçao em 1940. Em meados dos anos 50 a refinaria sofrerá uma modernizaçao e amplicaçao, produzindo-se apartir de 1955 pela além do gasoleo, asfalto, fuel, gasolina, gas butano e propano, ainda os seguintes sub-produtos: enxofre e anidrido sulfuroso.

É certamente durante este periodo até finais dos anos 50, época na qual a SACOR funda a Nitratos de Portugal, (empresa que irá fabricar adubos azotados e nitro amoniacais) que a empresa recorre à CUF enquanto fornecedora de sacos de linho por forma, a assim poder vender o seu enxofre produzido por via quimica nas instalações de Cabo Ruivo.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Alfama olhando o Tejo


Se á primeira vista o titulo e a foto nao evidencia nela vistigios do tema associado a este blogue desengane-se quem por aí. Se há um tema que gosto em particular é a Fotografia, tema que tem pano para mangas e que é sem duvida uma marca e um testemunho das eras, dos acontecimento das pessoas etc. 

A foto que hoje vos trago, curisamente encontrei-a publicada na revista "Menina e Moça" de Novembro de 1971, esta publicaçao era editada pela Mocidade Portuguesa Feminina. Esta é daqueles tipos de foto que verdadeiramente aprecido, parece composta por camadas. E voces perguntarão "mas a que é que ele se está a referir?"

Pois bem se em primeiro plano temos os velhos telhados do casario de Alfama, onde um homem se encontra debruçado na varanda da sua agua furtada, mais abaixo uma fragata cruza o Tejo vagarosamente. Em pleno Tejo encontramos daqueles gigantes super-petroleiros que os lisboetas de hoje já não estao habituados a ver por estas paragens. O gigante dos mares encontra-se fundeado, ali no meio do Rio, enquanto o "Praia Branca" da Gaslimpo, trata da lavagem e desgasificaçao dos seus tanques. Depois de concluida essa operação, o "mamute" terá luz verde para entrar nas docas da Lisnave onde será reparado, ou modernizado. 

Lá mais ao fundo, a vista ainda alcança um aglomerado de formulas geométricas criadas pelo Homem, trata-se da Vila do Barreiro. Na paisagem sobressai, a altaneira e fumegante chaminé do TCP (Tratamento de Cinzas de Pirite) situada em pleno Complexo Industrial da CUF.

Nota da Administraçao do Blogue

Caros amigos, de facto há já muito tempo que não me debruçava sobre o meu blogue. Devido a esta inactividade de dois meses, muito possivelmente pela cabeça de alguns de vós teria passado a ideia que teria desistido do mesmo. Não, isso nao é verdade, o problema é a falta de tempo, nesta vida sempre agitada. Pois, cá estou de novo, para tentar publicar com uma maior regularidade as "estórias" da História do Grupo CUF, curiosidades, factos, etc. Quero também deixar um muito obrigado a todos os meus leitores e seguidores que aqui vêm diariamente e que tanto enriquecem este espaço. Obrigado tambem a todos aqueles que de alguma forma me tentam ajudar para que este blogue seja uma referencia sobre este tema que me é tao querido. 

Os melhores cumprimentos

Ricardo Ferreira

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Folha Publicitária da Tuberite


A Tuberite, era um produto fabricado pela empresa Plant Protection, sendo no nosso pais representada pela CUF. Introduzido em Portugal no incio dos anos 50, este pecticida tinha por função evitar o grelamento das batatas durante o seu periodo de armazenamento, podendo-se afirmar que tal produto actuava como um conservante. A Tuberite era vendida em pacotes de 300 g, caixas de 1 quilo, e sacos de 50 quilos.

Segundo os Manuais agrcolas da época a sua composição era a seguinte: Isopropil-fenil-carbamato

"Uma só aplicação permite conservar os tuberculos em boas condições durante vários meses. Não convem aplicar a Tuberite antes de terem decorrido 4 semanas após o arranque das batatas, podendo esperar-se que os primeiros grelos começem a «apontar». Não aplicar Tuberite às batatas destinadas a plantação.

Doses: Nos casos normais 1,2 quilos de Tuberite por tonelada de batata armazenada. "*

Este folheto, impresso num genero de papel biblia data de Julho de 1952, tendo sido editados 25 mil exemplares pelo Centro de Propaganda e Publicidade da CUF.

*cf. "Simposium Agro-Pecuário de 1961" pag. 111